Falando de família, criticando STF e Lula, Bolsonaro pede mais quatro anos de mandato

O segundo presidenciável que o Portal AM1 apresenta é um dos favoritos na disputa: Jair Messias Bolsonaro
Da Redação – Portal AM1
Publicado em 13/07/2022 05:01
Foto: divulgação

Manaus – Destacando-se no cenário político pela forma direta de falar com as pessoas, além da vontade de acabar com a corrupção, foi dessa maneira que o novo filiado ao Partido Liberal alcançou a presidência do Brasil. O segundo presidenciável que o Portal AM1 apresenta é um dos favoritos na disputa: Jair Messias Bolsonaro.

Em 2022, o presidente tenta conquistar novamente a confiança dos eleitores e ganhar mais quatro anos no poder – o que é ameaçado pelo retorno do ex-presidente Lula (PT), que lidera as pesquisas de intenção de votos.

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Com um mandato que iniciou com grande apoio dos brasileiros, Bolsonaro precisou enfrentar uma pandemia logo no segundo ano de gestão. Com pensamentos diferente de cientistas, o chefe da República começou a perder apoiadores por falas negativas e duvidosas quanto à covid-19 e a eficácia da vacina contra o vírus.

Foto: Divulgação / Planalto

Apesar de lutar pela economia, enquanto os brasileiros ficaram em casa, o presidente Bolsonaro tenta reverter a situação econômica do Brasil nos últimos meses de mandato – o que pode definir o futuro nas eleições em outubro.

Carreira militar

Antes de embarcar na vida política, Jair Bolsonaro – que anos depois iria se tornar presidente do Brasil – iniciou a trajetória militar nos anos 70, semanas antes de completar a maioridade. Após um ano na escola de cadetes, Bolsonaro foi aprovado para ingressar na Academia Militar das Agulhas Negras, onde ficou conhecido por ‘Cavalão’, pela disposição física que demonstrava.

Sendo comprometido com a carreira, foi declarado aspirante a oficial de artilharia, mas na década seguinte, seria alvo de investigações dentro do Exército. Tudo começou em 1986, quando Bolsonaro falou abertamente com a imprensa sobre o salário dos soldados e oficiais de baixa patente. Por conta da declaração na mídia, o chefe da República precisou ficar 15 dias preso em um quartel.

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No ano seguinte, novamente, Bolsonaro foi alvo da mídia, que revelou um suposto esquema dele e de um colega militar. Em desenhos, os dois pretendiam explodir bombas em instalações militares para pressionar o comando por melhores condições de trabalho. Na época, o presidente afirmou, em tom de brincadeira, sobre o plano, mas negou ao ministro do Exército.

Foto: Arquivo Pessoal

Mais uma vez, Bolsonaro foi alvo das Forças Armadas e precisou responder a uma investigação no Conselho de Justificação do Exército, onde foi condenado por unanimidade. Bolsonaro, no entanto, recorreu ao Superior Tribunal Militar e foi absolvido por falta de provas.

Vida política

Ao notar que ganhou visibilidade com a defesa dos interesses militares, Jair Bolsonaro resolveu se candidatar pela primeira vez em 1989. Logo na primeira eleição, foi eleito vereador do Rio de Janeiro antes de partir para planos maiores, como Brasília.

Dois anos depois de ser eleito, Bolsonaro se candidatou a deputado federal, e novamente conseguiu se eleger. Na Câmara Federal, ele teve sete mandatos, que somam 28 anos na cadeira, até trocar de moradia em Brasília e ir para o Palácio da Alvorada.

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São quase 30 anos sendo político, no entanto, Bolsonaro ganhou destaque, principalmente por conta das polêmicas que vieram à tona. Durante todo esse tempo de Casa Legislativa, o atual presidente teve grande destaque. Dos 172 projetos de lei que apresentou em 26 anos na Câmara, por exemplo, apenas dois deles foram aprovados.

Foto: Divulgação

Ele ainda tentou, por quatro vezes, presidir a Câmara, mas não conseguiu. Além da pouca atuação, Bolsonaro também passou por diversos partidos antes de chegar ao PL. Antes de escolher a nova legenda para concorrer às eleições de 2022, foram oito partidos pelos quais o presidente da República passou.

Desde 2011, Bolsonaro se mostrou contra projetos do Ministério da Educação, que queria adotar nas escolas a discussão da diversidade e combater a homofobia. Na época, Bolsonaro colocou o nome como “kit gay”, e ganhou repercussão na mídia no governo Dilma.

Os discursos contra o Supremo Tribunal Federal não são novidade para Bolsonaro. Em 1999, ele pediu o fechamento do Congresso Nacional, uma guerra civil no país e o fuzilamento de políticos, inclusive do então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, além de ser a favor da sonegação de impostos.

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Uma das polêmicas mais emblemáticas ao longo dos anos na Câmara foi com a deputada Maria do Rosário. Em 2014, o presidente disparou ofensas contra a parlamentar em cima da tribuna, onde afirmou que só não a estuprava porque ela “não merecia”.

Bolsonaro foi condenado a pagar uma indenização por danos morais pelo Superior Tribunal de Justiça. Ele também é réu no STF por apologia ao crime de estupro e injúria.

Da Câmara para a Presidência

Após as eleições de 2014, o então deputado Jair Bolsonaro passou a planejar a campanha presidencial para as eleições de 2018. Ele começou a percorrer por diversos Estados brasileiros, estampou o rosto em camisas e adotou o modo “blogueiro” nas redes sociais, onde ganhou destaque entre os jovens.

No final de agosto de 2018, Bolsonaro já estava nos holofotes e alcançando o ex-presidente Lula nas pesquisas de intenção de voto. No entanto, Lula havia sido preso e perdido o poder de disputar as eleições, o que deixou Bolsonaro “livre” para ser a principal escolha entre os eleitores.

Ainda sendo uma incerteza para a maioria dos brasileiros, Bolsonaro ganhou ainda mais destaque após sofrer um atentado durante um comício em Juiz de Fora, em Minas Gerais, quando foi esfaqueado por Adélio Bispo de Oliveira, preso em flagrante pela Polícia Federal.

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Foto: Reprodução

O candidato à presidência – na época – precisou passar por uma cirurgia de emergência e, por recomendação médica, realizou o resto da campanha eleitoral em casa. Com Lula preso, o PT precisou de um nome para tentar derrotar o favoritismo de Bolsonaro, que crescia a cada dia, lançando assim Fernando Haddad.

Logo no primeiro turno, Jair Bolsonaro recebeu uma enxurrada de votos, ampliando uma grande diferença entre o segundo colocado. Foram 49 milhões de votos, 46%, contra apenas 31,3 milhões de Haddad, que ficou com 29%. O presidente venceu as eleições no segundo turno, com 55% dos votos válidos.

Escândalos na presidência

Uma das primeiras grandes polêmicas do governo Bolsonaro aconteceu em 2020, quando o então ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, anunciou a saída do governo federal e denunciou interferências de Bolsonaro em investigações da Polícia Federal. O inquérito ainda está em andamento.

Em meio às falas contra a vacina e o número de mortes aumentando a cada dia no Brasil, na pandemia da covid-19, o presidente Bolsonaro foi alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado Federal. Em depoimento, o deputado federal Luís Miranda afirmou ter dito pessoalmente a Bolsonaro pressões indevidas que o irmão dele, o servidor do Ministério da Saúde Luís Ricardo Miranda, estava recebendo para facilitar a compra da vacina Covaxin.

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Para os senadores, Bolsonaro teria cometido crime de prevaricação ao se isentar em ter tomado decisões para impedir uma suposta ilegalidade no Ministério da Saúde. Na época, Bolsonaro confirmou ter conversado com os irmãos, mas negou ter cometido o crime.

Foto: Agência Senado

Além das acusações relacionadas à compra da Covaxin e à suposta interferência na Polícia Federal, o presidente também enfrenta investigações sobre disseminar fake news sobre a eficácia da vacinação, promover ataques aos ministros do STF, e divulgar mentiras sobre a urna eletrônica e a Justiça Eleitoral, além de vazar informações sigilosas nas redes sociais.

Depois de todas as polêmicas que precisou enfrentar durante a pandemia e sendo responsabilizado pelos efeitos que ela trouxe, Bolsonaro tenta ser reeleito e derrotar o ex-presidente Lula, na eleição mais polarizada da história do Brasil.

Fechado com o Amazonas

Desde 2018, o presidente Bolsonaro tem mostrado uma relação estreita com o Amazonas, essa ligação é mérito do esforço do amigo íntimo e pré-candidato ao Senado Federal, Coronel Alfredo Menezes (PL), que atua como o braço direito do presidente da República no Estado.

Ao Portal AM1, Menezes garantiu que, se eleito, o Amazonas será beneficiado ainda mais com a parceria entre ele e o governo federal. “Iremos ser um porta-voz ativo do Amazonas, em Brasília. Discutir, propor projetos e benfeitorias para o nosso Estado diretamente com os ministérios, diferente do que acontece hoje com os atuais senadores”, disse.

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De acordo com ele, o governo Bolsonaro foi o que mais investiu em todo o Amazonas, com repasses bilionários para a melhoria do povo amazonense. “Nenhuma cidade do Amazonas ou do país ficou sem recurso, principalmente no período da pandemia”, destacou.

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Foto: Divulgação / Assessoria

Para ele, mais um mandato para Bolsonaro é necessário para que o Brasil continue crescendo, além de uma economia estabilizada e um país livre da corrupção. “Temos algumas pautas polêmicas que sempre foram jogadas para debaixo do tapete, mas com o Bolsonaro poderemos destravá-las para que o país continue crescendo e tenha a magnitude que merece”, afirmou.

O pré-candidato ao Senado ainda destacou que o cenário da pandemia da covid-19 não era imaginado por ninguém, mas que agora é preciso alavancar os principais setores da economia, infraestrutura e continuar avançando e melhorando a vida de milhões de brasileiros.

Quanto às pesquisas de intenções de voto – as quais Bolsonaro aparece em segundo lugar -, Menezes afirmou que os eleitores mostrarão a força nas urnas. “Acredito que a grande pesquisa será feita no dia 2 de outubro com a vitória do Bolsonaro. A pesquisa do povo. O Brasil é cristão e não vai optar por Barrabás”, finalizou.

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