Manaus, 17 de setembro de 2026
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Cenário

MP investiga pagamentos milionários da gestão de ex-prefeito de Juruá

Inquérito apura contratos com empresa de informática, repasses a outras empresas e relatos de saques em espécie.

(Foto: Thierry/Ascom)

Manaus (AM) – O Ministério Público do Amazonas (MPAM) abriu um inquérito civil para investigar suspeitas de desvio de recursos públicos envolvendo pagamentos milionários realizados pela Prefeitura de Juruá durante a gestão do ex-prefeito José Maria Rodrigues da Rocha Júnior. A apuração alcança contratos com uma empresa de suprimentos de informática e o posterior repasse de parte dos recursos a outras duas empresas.

Segundo o MPAM, a investigação teve início a partir da Notícia de Fato nº 194.2026.000001. Os elementos reunidos até o momento apontam que a prefeitura teria realizado pagamentos milionários à TAC Comércio de Suprimentos de Informática Ltda., que posteriormente teria transferido parte dos valores recebidos para a JC Barão dos Santos Comércio de Produtos Alimentícios Ltda. e C.V. da Silva Fonseca.

O ponto que chamou a atenção dos investigadores é justamente o caminho percorrido pelo dinheiro. De acordo com o Ministério Público, os repasses teriam ocorrido sem contrapartida econômica compatível com o ramo de atuação ou com a capacidade operacional das empresas envolvidas.

A investigação também reúne relatos sobre saques em espécie realizados em agências bancárias no município de Carauari.

Os fatos ainda estão em apuração. Conforme o MPAM, caso as suspeitas sejam confirmadas, as condutas podem configurar, em tese, atos de improbidade administrativa e ilícitos penais. A abertura do inquérito não representa condenação ou comprovação de irregularidade por parte dos investigados.

MP quer rastrear pagamentos

Para avançar sobre o caminho dos recursos, a Promotoria de Justiça deu prazo de 15 dias úteis para que a Secretaria Municipal de Finanças de Juruá apresente cópia integral dos empenhos, notas de liquidação e ordens de pagamento feitos à TAC Comércio de Suprimentos de Informática durante 2024, além da identificação das fontes dos recursos.

A Prefeitura de Juruá também deverá entregar os procedimentos licitatórios e contratos administrativos firmados com a empresa.

A apuração vai além dos documentos mantidos pelo município. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) foi acionado para encaminhar relatórios de inteligência financeira referentes às movimentações das empresas e pessoas citadas no processo.

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) também recebeu pedido de apoio técnico para analisar as movimentações bancárias e societárias relacionadas às empresas investigadas.

“O Ministério Público segue firme na apuração dos fatos, visando a transparência e o uso adequado dos recursos públicos, adotando as medidas necessárias para combater eventuais atos de improbidade administrativa que causem prejuízo à população”, afirmou o promotor Marcelo dos Anjos de Castro, responsável pela investigação.

Com a requisição de documentos municipais, dados financeiros e apoio do Gaeco, o inquérito entra agora na fase de aprofundamento do rastreamento dos recursos. Caberá à investigação esclarecer a origem, a justificativa e o destino dos valores movimentados, além de eventual responsabilidade dos envolvidos.

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