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CPI da Covid retoma audiências com novos alvos e polêmicas

Depois de uma 'primeira temporada' movimentada, o Portal Amazonas 1 selecionou alguns depoimentos que marcaram a CPI da Covid
Camila Duarte – Portal AM1
• Publicado em 31 de julho de 2021 – 12:00
Foto: Reprodução

MANAUS, AM – Em funcionamento desde abril, a CPI da Covid estendeu as investigações e entra no mês de agosto com o foco de onde parou: suposta irregularidade na compra de vacinas contra a covid-19. A primeira audiência pós-recesso está marcada para a próxima terça-feira (3) e deve fazer com que os integrantes do G7 compartilhem novas descobertas entre os dois mil documentos que foram analisados durante o recesso parlamentar.

Presidida pelo senador Omar Aziz, e tendo como relator Renan Calheiros e vice-presidente Randolfe Rodrigues, a primeira audiência recebe o reverendo Amilton, na terça-feira (3). De acordo com representantes da Davati Medical Supply, o reverendo é o intermediador entre o governo federal e empresas que ofertavam vacinas.

No entanto, os membros titulares da CPI agora contam com o senador Luis Carlos Heinze, que foi oficializado devido à saída do senador Ciro Nogueira, nomeado pelo presidente Jair Bolsonaro para assumir a Casa Civil. Com isso, o filho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro, passa a ser suplente, vaga cedida pelo bloco parlamentar Unidos pelo Brasil, formado pelos partidos MDB, PP e Republicanos.

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Fazendo sucesso nas redes sociais, a CPI da Covid apostou, para esta nova temporada, a criação de núcleos para cada tema específico, como a intermediação por parte de empresas para a compra de vacinas e senadores que tentam espalhar desinformações sobre o agravamento da pandemia no Brasil.

Foto: Jefferson Rudy / Agência Senado

Até a última quinta-feira (29), já estavam prontos 386 requerimentos que devem entrar em pauta nesta temporada. Entre eles, estão pedidos de convocações, quebras de sigilos, informações e audiências públicas. A maior parte dos requerimentos pede a convocação de novas testemunhas, com 265 pedidos feitos.

Entre os pedidos, estão ministros, governadores, prefeitos, secretários, servidores públicos. Além disso, os mais de 200 requerimentos pedem a convocação de empresas privadas, especialistas em saúde e, até mesmo, formalizar o depoimento do presidente Bolsonaro.

Na sequência, a comissão recebe o sócio da Precisa Medicamentos, Francisco Maximiano, na quarta-feira (4), apontado como responsável pela negociação da vacina Covaxin. Já na quinta-feira (5), a CPI pretende ouvir Túlio Silveira, advogado da Precisa.

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No entanto, a defesa de Maximiano entrou com um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para que o empresário não compareça à audiência. Como justificativa, os advogados afirmaram que o sócio da Precisa precisou fazer uma viagem para a Índia. Porém, o senador Randolfe Rodrigues já informou que, caso Maximiano não preste depoimento, será feito um pedido de prisão preventiva contra ele.

Este não seria o primeiro pedido de prisão feito na CPI da Covid. Classificada por muitos como o novo entretenimento brasileiro, a “primeira temporada” da CPI foi marcada por bate-boca, acusações e xingamentos, e as audiências ganharam um público fiel: os internautas. Eles não perdem um depoimento, o que fez com que as investigações sejam um dos assuntos mais comentados no Brasil todos os dias em que esteve em ação.

O Portal Amazonas 1 selecionou os momentos mais marcantes da CPI da Covid durante os meses de investigações antes do recesso parlamentar; relembre:

A fuga de Pazuello

Sendo um dos depoimentos mais esperados, o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, evitou ir ao Senado para prestar esclarecimentos. Ele afirmou que teria contraído covid-19, porém, dias antes, foi visto passeando em um estabelecimento comercial sem máscara.

“Se o general Pazuello se sente preocupado, e nós também estamos preocupados de que ele venha para cá com coronavírus, não tem problema. A gente espera. A CPI vai durar 90 dias (…) Se o caso específico do ministro é a Covid-19 nós esperamos a quarentena de 14 dias”, disse o presidente da comissão, Omar Aziz.

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Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Após se recuperar da doença, o ex-ministro afirmou que iria comparecer à audiência, porém, com o direito de habeas corpus, concedido pelo STF. Ele se esquivou de algumas perguntas feitas pelos senadores, e, em alguns momentos, irritou a comissão.

No primeiro dia de depoimento, Pazuello passou mal e a sessão precisou ser interrompida. O novo depoimento foi marcado para o dia seguinte, com o general mais disposto e bem preparado para rebater as perguntas.

“Ninguém é imbecil aqui”

Os ânimos na CPI da Covid durante o depoimento do ex-chefe da Secretaria de Comunicação de Jair Bolsonaro, Fábio Wajngarten, deixaram a comissão à flor da pele. As tentativas do senador Renan Calheiros de arrancar respostas sobre o presidente Jair Bolsonaro do ex-chefe irritou o assessor. Wajngarten afirmou que se Calheiros quisesse saber algo de Bolsonaro, que perguntasse para ele próprio.

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Irritado com a postura do ex-chefe em não responder aos questionamentos, o presidente da CPI, Omar Aziz, afirmou que Wajngarten não poderia se negar a responder às perguntas feitas pela comissão. “Você não pode falar isso aqui não, você não pode dizer ‘pergunte a ele’. Você está aqui como testemunha e tem que responder, ‘sim ou não'”, disse Aziz.

Foto: Leopoldo Silva / Agência Senado

“Vossa Excelência está confiando em quê, que vai acontecer lá na frente, meu amigo? Porque eu vou te dizer uma coisa: isso tem consequências futuras. Só quem enfrentou um processo sabe que isso não acaba amanhã. A gente se sente meio protegido quando tem o poder por trás da gente. E quando não tem o poder, a gente fica abandonado e aí vem o arrependimento. Eu estou aqui lhe dando um conselho, seja objetivo e verdadeiro aqui na CPI”, contestou o presidente da CPI.

É ela, a Pfizer

Em depoimento do gerente da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, foi informado que o governo federal esteve em reunião com a empresa desde maio de 2020, antes mesmo da primeira onda da covid-19 no Brasil. A revelação ocorreu um dia depois do depoimento de Fábio Wajngarten, ex-chefe da Secretaria de Comunicação, que contou que as propostas da empresa Pfizer ficaram sem respostas por dois meses.

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Conforme dito no depoimento, Carlos Murillo afirmou que a reunião que ocorreu em maio de 2020 tratava-se da aquisição de vacinas pelo governo federal. Mais duas propostas foram feitas ao Brasil no período até agosto de 2020. Somente após meses de negociação, o governo fechou um acordo com a Pfizer em março de 2021.

A primeira oferta ao Brasil, com dois quantitativos disponíveis: 30 milhões e 70 milhões de doses. Como a oferta foi ignorada, segundo o gerente da Pfizer, em novembro as negociações foram retomadas com mais duas propostas, porém, desta vez, somente seria possível fazer a compra de 70 milhões de doses, mas sem chance de a vacina ser entregue em 2020.

Foto: Edilson Rodrigues / Agência Senado

“Vagabundo é você”

A audiência da CPI da Covid precisou ser suspensa após uma discussão entre o senador Flávio Bolsonaro e o relator da CPI Renan Calheiros. Eles trocaram ofensas e acusaram um ao outro de ‘vagabundo’.

O filho de Bolsonaro não é integrante da CPI, mas teve permissão para falar ao criticar a postura do relator em pedir a prisão de  Fábio Wajngarten, por mentir na CPI. “Imagina a situação: um cidadão honesto ser preso por um vagabundo como Renan Calheiros. Olha a desmoralização”, declarou o senador.

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Por sua vez, Calheiros não ficou para trás e afirmou que o xingamento era um elogio, vindo de um parlamentar como Flávio Bolsonaro. “Vagabundo é você, que roubou dinheiro de pessoal no seu gabinete”, disparou o relator da CPI.

Flávio ainda afirmou que o relator queria se ‘aparecer’ na Comissão e continuou com as ofensas. “Se f…”.

Capitã cloroquina

A secretária de Gestão do Trabalho do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, conhecida como “Capitã Cloroquina”, defendeu o uso da ivermectina e hidroxicloroquina no tratamento ao novo coronavírus para a comissão da CPI da Covid. A médica levou aos senadores pesquisas científicas que embasam as ações do governo brasileiro para o estímulo dos medicamentos.

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Durante o depoimento, ela foi duramente questionada sobre a crise de oxigênio em Manaus, em janeiro de 2021. A secretária esteve dias antes na cidade pelo Ministério da Saúde, porém, afirmou que não tinha como prever a falta do insumo nos hospitais.

Em depoimento, a secretária disse que, ao chegar a Manaus, o Ministério não conseguiu se reunir com a Secretaria de Saúde do Amazonas, pois os funcionários estavam no recesso de fim de ano. O que, segundo ela, como servidores públicos, os trabalhadores do Ministério também teriam direito a tal recesso – o que não foi possível por conta da visita na cidade.

Foto: Jefferson Rudy / Agência Senado

“Em Manaus, em uma situação extraordinária de caos, é impossível se fazer uma previsão de quanto você vai usar a mais oxigênio”, relatou Mayra.

Questionada como médica, o presidente da CPI perguntou se ela atendeu pacientes enquanto esteve em Manaus e a secretária negou. “É uma historia da sua vida e você não atendeu nenhum paciente”, disse Omar Aziz.

Mia Khalifa no Senado

O senador Luís Carlos Heinze preparou um longo relatório durante a sessão da CPI para defender a secretária Mayra Pinheiro, além de enfatizar o uso da cloroquina para o tratamento da covid-19. Durante o discurso, o senador usou o nome da ex-atriz pornô, Mia Khalifa, para embasar a teoria de que o medicamento é eficaz para tratar o novo coronavírus.

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No relatório que foi apresentado pelo Senador, a ex-atriz pornô é citada como doutora em um estudo sobre a cloroquina. De acordo com ele, a atriz era uma gerente de vendas em uma empresa inexistente e fraudou as pesquisas sobre a eficácia do medicamento no tratamento da doença.

Após a fala do senador, internautas repercutiram o vídeo e apontaram que os apoiadores do governo Bolsonaro utilizam informações para se basear em teorias, para que tenham como convencer a sociedade sobre o uso da cloroquina contra a covid-19.

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Próximos passos

O vice-presidente da CPI da Covid, o senador Randolfe Rodrigues, afirmou que, no mês de agosto, a comissão deve se concentrar nas investigações sobre os negócios e interesses envolvendo a empresa VTCLog. A suspeita é que tenha ocorrido contratos irregulares firmados por ela, o Ministério da Saúde e a Precisa Medicamentos.

“A CPI está no caminho certo. Estamos descobrindo quem estava e está por trás de uma gestão completamente ineficaz no Ministério da Saúde em relação, especialmente, à pandemia, que já nos custou mais de meio milhão de vidas do povo brasileiro. Não vamos parar”, escreveu o senador nas redes sociais.

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