TCE-AM verifica qualidade de asfalto fornecido por empresa contratada pela Seminf

Seminf está amarrada em duas licitações milionárias que somam R$ 619 milhões para tapar os buracos das ruas
Da Redação – Portal AM1
Publicado em 31/03/2022 10:00
TCE-AM verifica qualidade de asfalto fornecido por empresa contratada pela Seminf
Foto: reprodução

Manaus/AM – Em meio aos buracos que tomam conta das ruas de Manaus, a qualidade do asfalto que empresas contratadas pela Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), será analisada pelo Laboratório Móvel do Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM). As análises iniciaram nessa quarta-feira (30) e abrangem, também, o asfaltamento em municípios da Região Metropolitana.

No início do mês, o Portal AM1 mostrou que a Seminf, comandada pelo secretário Marcos Rotta, em menos de três meses, já está amarrada em duas licitações milionárias que resultaram em contratos com empresas tradicionais na capital no ramo da construção e asfáltico. Somando os dois certames, a Seminf vai pagar R$ 619.286.939,10 para tapar os buracos das ruas.

A primeira empresa a ser inspecionada pelo TCE é uma das contratadas pela Seminf, a Pomar Comércio de Derivados de Petróleo e Construção Eireli, localizada no quilômetro 20 da AM-010 (Manaus-Itacoatiara).

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Segundo o auditor técnico de controle externo Rogério Perdiz, a inspeção na usina teve como objetivo averiguar a qualidade do asfalto que está sendo produzido no local.

“Essa foi a primeira incursão que fizemos. Estivemos no local por ao menos cinco horas acompanhando a produção da massa asfáltica que é aplicada em diversos serviços na cidade de Manaus, como recapeamento, tapa-buraco e pavimentação. Fizemos a coleta de diversas amostras e agregados e trouxemos para o laboratório fixo na sede do Tribunal, para que a gente possa realizar a avaliação mais específica que não pode ser feita em campo”, comentou o auditor, ao pontuar que novas inspeções no local devem ser feitas nos próximos dias.

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“É um processo de avaliação contínua. Devemos retornar ao local para que a gente colha amostras da massa asfáltica dos dias seguintes, dessa forma poderemos acompanhar se aquilo que foi contratado pela Seminf está realmente sendo aplicado e desenvolvido pela empresa”, explicou.

Ainda segundo Rogério Perdiz, após período de avaliação, laudos serão emitidos com resultados que indicam a qualidade do material analisado.

“Após um período de planejamento, incursão presencial e avaliação dos materiais são emitidos relatórios técnicos dos ensaios, que são enviados para análise técnica da Secretaria de Controle Externo, onde providências serão tomadas caso seja identificada alguma irregularidade da produção e qualidade dos materiais em relação ao que foi estabelecido em contrato administrativo pelo poder público”, comentou, ao reforçar que os laudos poderão ser usados pelos relatores no julgamento de contas.

Mais incursões

Mais análises presenciais devem ser realizadas durantes os próximos meses, com uma média de quatro a seis locais sendo visitados por mês sendo, entre usinas e obras em execução que possuam execução de pavimentação, recapeamento, entre outros.

“Determinamos um portfólio de obras que possuem pavimentação, terraplanagem e uso de concreto, entre outras que foram mapeadas. A partir disso, elaboramos um cronograma de visitas para o mês de março e de abril. Com a autorização desse cronograma pela Secretaria de Controle Externo, o Laboratório Móvel então se desloca até os locais determinados e realiza a coleta de amostras”, concluiu Rogério Perdiz.

Buracos

A inspeção ocorre no momento em que a população reclama que o serviço de asfaltamento da Seminf não tem chegado em suas ruas. São incontáveis os números de reclamações nas redes sociais e de denúncias que o Portal AM1 recebe sobre o problema.

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Nas últimas semanas, a via que bateu recorde de reclamações por conta dos buracos foi a rua Mantiqueira, esquina com a rua Cubatão, no bairro Redenção, zona Centro-Oeste da cidade. O problema que apareceu devido a uma obra de reparo em uma tubulação já é antigo e há anos causa transtorno aos moradores, mas, com a nova gestão, continuou sendo o pesadelo das famílias que moram na região.

Outro bairro enfrentando problemas com buraco nas ruas é o bairro Santo Antônio, na zona Oeste. No local, os moradores reclamaram de um serviço incompleto feito pela Seminf. Segundo eles, a pasta teria recapeado apenas o trecho da rua que passa em frente a uma Unidade Básica de Saúde (UBS), mas na parte inferior da rua, a via estava completamente esburacada.

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No final do mês passado, foi a vez de moradores da zona Norte relatarem à reportagem a falta de recapeamento nas ruas Francisco Lima, chamada também de ‘Rua Bem-Te-Vi’ e na Almíscar, ambas localizadas no bairro Colônia Terra Nova, zona Norte, que são verdadeiras buraqueiras a céu aberto.

Nos locais, o buraco e a falta de assistência da prefeitura já causaram até a queda de um jovem que acabou quebrando o braço durante o acidente; além disso, uma moradora com câncer enfrenta dificuldades para sair de casa por conta da buraqueira.

(*) Com informações da assessoria

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