(Foto: Reprodução /CMM)
Manaus (AM) – Preso em 2025 por suspeita de liderar um esquema de “rachadinha” no próprio gabinete, o vereador de Manaus Rosinaldo Bual (Agir) voltou a registrar presença nas sessões da Câmara Municipal de Manaus (CMM), mas sem participar dos debates em plenário.
O nome do parlamentar consta como presente nas atas oficiais e no painel eletrônico da Casa desde a última segunda-feira, 9, quando foram retomados os trabalhos legislativos após o recesso.
A retomada dos registros ocorre após o fim da medida judicial que determinava o afastamento temporário do exercício do mandato.
Bual foi preso no dia 3 de outubro de 2025 durante operação que investigou o desvio de salários de assessores, uso de funcionários fantasmas, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Na ocasião, o Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas (TJAM) determinou o afastamento do vereador por 120 dias, período em que ele ficou impedido de acessar as dependências da Câmara.
Apesar de o nome constar como presente nas sessões dos dias 9, 10 e 11 deste mês, servidores da Casa ouvidos pela reportagem afirmam que o parlamentar não tem acompanhado presencialmente as sessões nem participado das discussões em plenário.
Em nota à imprensa, a CMM informou que o registro de presença virtual é permitido desde a pandemia de Covid-19 e que o modelo híbrido de trabalho ainda está em debate no Legislativo municipal. Segundo a Câmara, o formato foi aprovado em primeira discussão em 2025, mas ainda depende de regulamentação específica.
A Casa acrescentou que os parlamentares podem registrar presença de forma remota por meio de aplicativo com reconhecimento facial, o que possibilita participação virtual nas atividades legislativas.
Operação Face Oculta
Rosinaldo Bual foi preso no âmbito da Operação Face Oculta, deflagrada pelo Ministério Público do Amazonas (MP-AM), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Durante a ação, foram apreendidos R$ 890 mil em dinheiro e cheques, além de determinado o bloqueio de R$ 2,5 milhões pela Justiça.
O vereador passou cerca de dois meses preso e responde a investigações por peculato, concussão, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
De acordo com o MP-AM, as investigações apontaram que assessores nomeados no gabinete eram obrigados a devolver parte dos salários ao parlamentar, prática conhecida como “rachadinha”. O gabinete mantinha entre 40 e 50 servidores, número considerado elevado pelos investigadores, com alta rotatividade. Parte dos valores, segundo o órgão, era desviada por intermediários ligados ao vereador.
Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos cofres, cheques, grande quantia em espécie, joias e uma arma de fogo, o que resultou em autuação em flagrante por posse irregular.
No dia 15 de dezembro de 2025, o TJAM concedeu liberdade ao vereador, substituindo a prisão preventiva por medidas cautelares. A decisão manteve o afastamento da Câmara, proibiu o contato com investigados e testemunhas, determinou o uso de tornozeleira eletrônica e a entrega do passaporte.
Mesmo afastado naquele período, o parlamentar continuou recebendo salário superior a R$ 26 mil mensais.
O caso segue sob segredo de Justiça, com expectativa de oferecimento de denúncia formal pelo Ministério Público.
Confira o documento:
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