Mais da metade dos deputados do AM troca de partido para tentar reeleição

Segundo o cientista político Carlos Santiago, a movimentação dos deputados na troca de partidos é considerada como 'oportunismo eleitoral'
Camila Duarte – Portal AM1
Publicado em 04/04/2022 12:16
Foto: Reprodução

Manaus, AM – O fim da janela partidária indica o primeiro passo para as eleições de 2022 e, com ela, o cenário já começa a ser estabelecido para os eleitores. A última semana para definir os partidos políticos foi movimentada em Manaus, com oficialização de filiações e lançamento de pré-candidaturas, mas o que chamou atenção foi a quantidade de deputados que deram adeus às antigas siglas para ingressarem em um novo partido.

O novo partido brasileiro, União Brasil, por exemplo, tem seis deputados que tentarão a reeleição ou uma cadeira na Câmara dos Deputados. O presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas, Roberto Cidade, é um dos políticos que almeja permanecer com o cargo de deputado estadual. Além dele, os deputados Adjunto Afonso e Joana D’arc também se juntaram ao União Brasil para defenderem suas cadeiras na Aleam.

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A nova sigla também conta com os deputados Saullo Viana e Fausto Júnior, mas que, desta vez, mudaram a direção da última eleição e vão em busca de uma vaga na Câmara Federal, em Brasília.

Novos ares

Quem também está de casa nova é a deputada Mayara Pinheiro, que deixou o Partido Progressista para se juntar ao Republicanos. A deputada vai dividir a sigla com o deputado Dermilson Chagas, que estava sem partido político, mas resolveu se filiar à sigla.

Agora, os dois vão dividir espaço com o deputado João Luiz, que já era filiado ao partido. Como bônus, a família Pinheiro tem dois dos principais políticos de Coari disputando as eleições com o Republicanos, Mayara e Adail Filho, que vai em busca de uma cadeira na Câmara Federal.

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Seguindo o presidente

Com o presidente Jair Bolsonaro (PL) em um novo partido, os aliados do chefe da República no Amazonas não poderiam deixar de segui-lo nestas eleições. Com isso, o Partido Liberal abriu as portas para os deputados estaduais para disputarem as eleições deste ano.

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Os deputados Tony Medeiros, Therezinha Ruiz e Delegado Péricles se juntam ao deputado Cabo Maciel no PL. Ao que tudo indica, todos os novos filiados, assim como Maciel, tentarão a reeleição para a Aleam.

O PL também recebeu a filiação do deputado federal Capitão Alberto Neto, fiel escudeiro de Bolsonaro, que vai em busca da reeleição na Câmara dos Deputados.

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Mais filiações

Dando adeus ao PSD, o deputado Ricardo Nicolau se juntou ao Solidariedade e, assim como tem feito nas últimas eleições, deve disputar cargos cobiçados por líderes políticos, como a cadeira de governador do Amazonas. Oposição do governador Wilson Lima, o deputado Wilker Barreto que estava sem partido oficializou a filiação ao Cidadania, que formou federação com o PSDB.

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Sendo assim, os partidos terão as atividades coordenadas pelo pré-candidato ao Senado Federal, o tucano Arthur Virgílio Neto. Vale lembrar que o Cidadania também recebeu a filiação do ex-governador Amazonino Mendes, que é forte candidato na disputa pelo Governo do Amazonas.

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De volta à Aleam, a deputada Alessandra Campêlo, que já havia informado que deixaria o MDB, oficializou a filiação ao PSC. Nos bastidores políticos havia uma suposição de que Campêlo seguiria os passos de Wilson Lima, uma vez que assumiu a Secretaria de Estado da Assistência Social (Seas), sendo nomeada pelo próprio governador.

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No entanto, Campêlo foi de encontro aos rumores do cenário político e ingressou na ex-sigla de Lima, onde deve defender a reeleição. Agora, ela se junta ao deputado Doutor Gomes, no PSC, que também vai em busca da reeleição

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Oportunismo

Segundo o cientista político Carlos Santiago, a movimentação dos deputados durante a janela partidária é classificada como “oportunismo eleitoral”, uma vez que os políticos não levam em consideração a ideologia partidária, mas sim a vontade de fazer uma manutenção dos seus cargos.

“Essa movimentação de mudanças de siglas na Assembleia Legislativa do Amazonas pelos atuais deputados e deputadas indica, tão somente, a vontade de não ter renovação na Assembleia e também de manutenção dos seus mandatos, dos seus cargos”, explicou ao Portal AM1.

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“Puro oportunismo eleitoral. Duvido se quem se filiou no União Brasil conhece minimamente o estatuto desse partido. Ou quem foi para o PL, por exemplo, sabe o que significa ser liberal”, ressaltou. Santiago ainda comentou que, “o que mais fica claro é a aproximação de quem tem poder”.

“Nesse movimento oportunista eleitoral, o que menos conta é a ideologia partidária, o que mais fica claro é a aproximação de quem tem poder, o poder da máquina pública, o governo, o Estado, e também alinhado com as prefeituras”, disse.

O cientista político ainda destacou que existe uma movimentação para impedir a renovação política na Assembleia Legislativa do Amazonas, assim como os políticos fazem de tudo para estarem próximos do poder.

“Tudo se faz para impedir a renovação política na Aleam e tudo se faz para estar próximo do poder. Ideologias partidárias nesse momento não contam, são apenas siglas, os partidos, para que sejam usadas tão somente para quem quer se manter no poder”, afirmou.

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