Sassá chama Paulo Guedes de ‘covarde’ e inflama trabalhadores a fazer greve na ZFM por causa do IPI

'A partir do dia 28, os trabalhadores irão parar em defesa dos seus empregos e com razão', disse o vereador Sassá
Juliana Siqueira – Portal AM1
Publicado em 22/03/2022 05:00
Industriários devem paralisar atividades caso governo federal não edite outro decreto a favor da ZFM, diz vereador
Foto: reprodução

Manaus/AM – Os trabalhadores da Zona Franca de Manaus (ZFM) podem paralisar suas atividades depois do dia 28, caso o governo Bolsonaro não edite outro decreto que beneficie o modelo econômico da região. As informações foram dadas pelo vereador Sassá da Construção Civil, nesta segunda-feira (21), durante pronunciamento na Câmara Municipal de Manaus (CMM).

A possível greve ocorre dias após o imbróglio da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Em fevereiro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, com aval de Bolsonaro, baixou um decreto reduzindo em 25% as alíquotas gerais do IPI.

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A medida afeta gravemente a Zona Franca de Manaus porque tira os incentivos de competitividade na região amazônica. Isso faz com que empresas que estão instaladas no Polo Industrial de Manaus não vejam mais vantagens em estar na região e decidam ir embora.

Por conta disso, o governador Wilson Lima se reuniu com o governo federal, onde lhes foi assegurado um novo decreto que beneficiaria o Amazonas. Mas até o momento, nenhum documento foi divulgado.

Novo decreto sobre redução do IPI pode ser publicado na próxima semana
Foto: Divulgação / Secom

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“O presidente prometeu para o governador que ia assinar o decreto em favor da Zona Franca de Manaus e até hoje não saiu esse decreto. A partir do dia 28, os trabalhadores irão parar em defesa dos seus empregos e com razão. Porque esse ministro é covarde, não tenho nenhum respeito por ele, e mexeu com mais 110 mil empregos e vai atingir quase 500 mil trabalhadores. Atinge a construção civil, atinge o comércio, turismo, motorista de ônibus”, disse Sassá, na tribuna.

Em conversa com o Portal AM1, na CMM, o vereador disse que possui em mãos um documento com mais de 10 mil assinaturas reivindicando alguma medida que beneficie os trabalhadores.

“Eu estou com mais de 10 mil assinaturas que os próprios funcionários mandaram para mim e eles estão muito preocupados porque o decreto do governo federal ainda não saiu e o governo federal ficou de revogar e até agora nada. Se até o dia 28 não for revogado, os próprios trabalhadores do distrito podem parar geral, a qualquer momento, em protesto!”, disse.

Segundo o parlamentar, devem paralisar as atividades trabalhadores de empresas grandes como a Moto Honda, Samsung, LG e Yamaha.

“E aí, depois do dia 28, se não tiver, eu mesmo vou apoiar, como cidadão, como parlamentar. Lá, a Moto Honda, Samsung, LG, Yamaha, as empresas maiores aí, todas vão parar. Os próprios trabalhadores revoltados estão mandando essa relação, abaixo-assinado, com telefone e tudo, dizendo que vão apoiar esse protesto caso não seja revogado o decreto contra a Zona Franca de Manaus”, afirmou.

A possível perda do emprego, caso o decreto não seja revogado, é a maior preocupação da categoria, segundo informado pelo vereador. Conforme o discurso de Sassá, dezenas de trabalhadores serão prejudicados.

“Maior preocupação deles, lá, é perder o emprego né, a Zona Franca gera emprego para 110 mil trabalhadores, principalmente esses jovens né, que têm seu primeiro emprego hoje pela Zona Franca, eles podem ter um momento difícil”, disse.

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