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Brigando pelo governo, políticos antecipam campanha no Amazonas

• Publicado em 29 de agosto de 2021 – 09:13

MANAUS, AM – Faltando pouco mais de um ano para as eleições de 2022, os aspirantes ao cargo de governador do Amazonas já deram largada e sinalizaram uma disputa acirrada. Enquanto Wilson Lima (PSC) deve tentar a reeleição, o senador Eduardo Braga (MDB) e o ex-governador Amazonino Mendes (se partido) tentarão voltar a cadeira à todo custo. Os chamados “caciques políticos” começaram a trabalhar “à todo vapor” em suas pré-campanhas.

A Lei proíbe os políticos de pedirem votos antecipadamente, mas a pré-campanha com viagens pelas cidades, postagens nas redes sociais, fotos, apertos de mãos, distribuição de cestas básicas e cartões deixa claro que a Lei fica em segundo plano. Não pedindo diretamente “vote em mim”, tá valendo.

Recentemente quem também entrou na disputa é o deputado estadual Ricardo Nicolau, que decidiu alçar voos mais altos após tentar a Prefeitura de Manaus, em 2020. E, entre si, a esquerda e a direita vêm se “estranhando” e, até agora, não definiram nomes para a disputa majoritária.

Entre esses nomes dados como certos para o próximo ano, quem largou na frente foi o senador Braga, que há meses vem intensificando sua atuação pelo interior do Amazonas, promovendo muita aglomeração de apoiadores e eleitores. Acumulando derrotas na disputa nos últimos anos, esta será a 3º vez seguida que o parlamentar tenta voltar à cadeira de governador do Estado.

Nas últimas três eleições para chefe do Executivo Estadual, desde que Braga deixou o governo, ele participou de duas disputas, sendo derrotado em 2014 pelo ex-governador José Melo (Pros), e, em 2017, foi derrotado por Amazonino Mendes (Podemos).

Na eleição de 2018, acumulando uma grande rejeição, Braga e o seu partido, o MDB, ficaram distantes da disputa pelo governo. O político focou todas as forças em sua reeleição para o Senado, e por pouco, mais precisamente 29,2 mil votos de diferença, conseguiu desbancar o ex-deputado Luiz Castro, e garantir sua reeleição.

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Para tentar reverter esse cenário, o parlamentar vem divulgando nas redes sociais um agenda intensa de visitas nas comunidades e municípios. Para se ter ideia, no último fim de semana, ele publicou fotos nas cidades de Manacapuru e Borba. As postagens mostram o senador ao lado dos prefeitos Beto D’Angelo (Republicanos) e Simão Peixoto (PP), respectivamente.

Foto: reprodução Instagram
Foto: reprodução Instagram

No mês passado, Braga chegou a se ausentar da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, a qual faz parte como membro, para focar no tambaqui assado que ganhou do prefeito de Eirunepé, Raylan Barroso (DEM). O medebista postou vídeo no Instagram para registrar o momento.

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Mas as andanças de Braga nem sempre são “solitárias”. Em maio deste ano, por exemplo, o senador divulgou que estava em visita ao município de Manaquiri ao lado do líder da bancada evangélica na Câmara dos Deputados, Silas Câmara (Republicanos) e os deputados estaduais Dermilson Chagas e Fausto Junior, formando uma “comitiva” para acompanhar a agenda do parlamentar na cidade.

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Zumzumzum

No início desta semana, o ex-governador Amazonino Mendes (sem partido) também deu “start” em sua pré-campanha. Nas redes sociais, ele iniciou a divulgação de uma série de vídeos em que resgata suas principais realizações e obras no Estado. No primeiro episódio, foi resgatada a história da idealização da Universidade Estadual do Amazonas (UEA), que neste ano completa 20 anos de fundação.

“É um resgate de algumas das principais realizações que fizemos em todas as áreas na capital e interior. Coisas que muita gente desconhece ou não lembra mais, mas que mudaram para melhor a vida do nosso povo”, disse Amazonino, por meio de assessoria. 

Com isso segundo a equipe de marketing de Amazonino, a estratégia é resgatar, também, o sentimento dos eleitores que deram ao político a oportunidade de governar o estado por quatro vezes. Foram postadas nas redes sociais imagens antigas de pessoas usando o famoso boton da abelhinha, que caracterizou por muitos anos suas campanhas.

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Desde que perdeu as eleições municipais em 2020, Amazonino e mudou para São Paulo para suposto tratamento de saúde. O ex-candidato a prefeito, que em sua campanha eleitoral tinha como lema a frase “OPaiTáOn”, chegou a ficar meses longe das plataformas digitais.

Mas em julho deste ano, ele esteve em Manaus para iniciar as articulações e alianças políticas para as eleições de 2022. Na ocasião, a assessoria do ex-governador informou que após finalizar as movimentações, ele voltaria para São Paulo, para cumprir compromissos como gravações e reuniões.

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No mês passado, o ex-governador, também deixou o Podemos, partido ao qual estava filiado no ultimo pleito. A decisão foi confirmada pelo deputado estadual Wilker Barreto, líder da oposição ao governador Wilson Lima, durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais.

Existe expectativa de que Amazonino vá para o Democratas, partido comandado por Pauderney Avelino e o vice-prefeito Marcos Rotta. No entanto, Amazonino distribuiu nota à imprensa afirmando que não se filiará a nenhum partido neste mês.

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O ex-governador Amazonino Mendes venceu eleição suplementar para o Governo do Amazonas em 2017. Mas foi derrotado nos dois pleitos seguintes. Em 2018, foi derrotado por Wilson Lima (PSC), atual governador. E em 2020, perdeu para David Almeida (Avante), prefeito de Manaus.

Voos mais altos

Na semana passada, o deputado estadual Ricardo Nicolau anunciou que deixará o PSD, sigla comandada pelo senador Omar Aziz e confirmou que é pré-candidato ao governo do Amazonas no próximo ano. Segundo ele, a partir de agora começa a construir o projeto para consolidar a candidatura e buscar alianças.

Ricardo Nicolau em live nas redes sociais, onde informou o projeto para 2022

“Eu milito na política desde 1996, quando fui candidato a vereador. Já estou no quinto mandato como deputado. Hoje eu tenho um comunicado importante, para mim, pessoalmente, para nossa equipe. Eu sempre tive um sonho muito grande de dar minha parcela de contribuição em governar o nosso estado ou a nossa cidade. Eu, a partir de hoje, declaro que iniciarei minha pré-candidatura ao Governo do Amazonas”, disse o parlamentar na ocasião.

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Mesmo sem a abertura da janela partidária, que permite o político trocar de partido sem perder o mandato, o nome do parlamentar já vem figurando como reforço ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), do seu amigo de Parlamento, Adjunto Afonso e do ex-deputado federal Hissa Abrahão, presidente estadual da sigla no Amazonas e que apoiou a candidatura de Ricardo Nicolau à Prefeitura de Manaus, no ano passado.

Em 2020, Ricardo Nicolau se candidatou à cadeira de prefeito de Manaus e mesmo não vencendo, ficou na quarta colocação com mais de 118 mil votos no pleito. Para garantir a candidatura, ele articulou com a nacional do PSD para dirigir o diretório municipal. Com o movimento, Nicolau assumiu a direção do partido em Manaus no lugar de Nejmi Aziz, esposa de Omar.

Durante a corrida pela prefeitura, dois marqueteiros da campanha de Nicolau foram presos em flagrante, durante ação da Polícia Federal por suspeita de compra de votos para favorecer o candidato. Segundo as informações, a equipe de marketing estaria oferecendo um lanche e R$ 80 para eleitores responderem a uma pesquisa eleitoral.

Leia mais: PF faz busca e prende grupo por suspeita de compra de votos para Nicolau

Além disso, Ricardo Nicolau viu seu nome ser envolvido em matéria nacional, onde acusa o parlamentar de “vê” na pandemia dea covid-19 uma oportunidade de antecipar em meses a campanha eleitoral para a prefeitura de Manaus. Isso porque sua família é dona da maior rede de hospitais privados do Amazonas, a Samel, que ficou responsável pela administração do Hospital de Campanha Municipal Gilberto Novaes, montado às pressas em abril por meio de uma parceria público-privada com a prefeitura de Manaus.

Leia mais: Intercept Brasil diz que Nicolau conta com o hospital da família, covid e Judiciário para subir nas pesquisas

Polarização

Enquanto os demais adversários já deram a largada em busca da cadeira de Wilson Lima, a esquerda e a direita demonstram que não definiram nomes para a disputa majoritária e com isso, dão indícios de um “racha” e um possível fracasso nas eleições gerais de 2022 no estado.

Direita

Nas últimas eleições, os partidos de direita protagonizaram uma grande polarização durante as corridas eleitorais, que ficou ainda mais ampla durante o pleito municipal de 2020, quando pelo menos quatro dos 11 candidatos a prefeito eram de direita, Alberto Neto (Republicanos), Coronel Menezes (Patriotas), Chico Preto (sem partido) e Romero Reis (sem partido). No entanto, nenhum conseguiu consolidar seu nome no segundo turno da disputa.

O desgaste pode estar ligado à busca excessiva pelo apoio político do presidente da República e a divergência entre interesses ideológicos e pessoais.

“A direita nunca esteve unida. No entanto, nunca se viu uma polarização da ideologia tão forte como agora, os candidatos não estão alinhados, os projetos divergem e o interesse deixou de ser ideológico e passou a ser pessoal. Todos buscam ser eleitos, mas possuem origens similares, nas urnas acaba que todos têm poucos votos e não são eleitos. Se continuarem assim, perderão espaço nas eleições do ano que vem”, comentou o cientista político Carlos Santiago.

Um exemplo disso, é que os movimentos de direta no Amazonas estão divergindo opiniões para decidir onde será realizada a tradicional manifestação do Dia da Independência, em Manaus. Uma parte está organizando uma motociata na Praça do Congresso, Centro de Manaus, em contrapartida, outra parte do grupo confirmou “que a Ponta Negra será liberada para o evento a favor da população, da liberdade de expressão e do Brasil”.

Leia mais: Menezes e Romero brigam por local da motociata no dia 7 de setembro

Na última quarta-feira (25), uma série de postagens nas redes sociais voltaram a evidenciar que a direita do Amazonas continua rachada. Enquanto o ex-candidato a prefeito de Manaus, Coronel Menezes (Patriota), caminha sozinho e tenta usar a proximidade com Bolsonaro para “descolar” sua candidatura ao Senado, outros políticos da direita – ex-vereador Chico Preto (sem partido), deputado estadual Delegado Péricles (PSL) e o empresário o empresário Romero Reis (sem partido) – “ensaiam” uma possível união.

Leia mais: Sem Menezes, Péricles, Chico e Romero se reúnem e mostram racha na direita do AM

Esquerda

Embora o Partido dos Trabalhadores (PT) ainda não tenha data definida para as discussões sobre as eleições 2022, conforme informado pelo deputado federal Zé Ricardo, o parlamentar já deixa claro que vem se articulando para o governo estadual. Em contrapartida, o presidente do PT-AM, deputado estadual Sinésio Campos, já declarou que ainda não há nada definido pelo partido.

Não é novidade que ambos os parlamentares possuem uma rixa dentro da legenda petista. No ano passado, esse desentendimento ficou ainda maior. Isso porque Sinésio Campos era o pré-candidato oficial do partido e disputou as prévias com Zé Ricardo. Mas, após ordem da direção nacional do PT, o candidato oficial para a disputa municipal foi o deputado Zé Ricardo.

Leia mais: Sinésio cutuca desejo de Zé Ricardo de ser governador: ‘todo mundo quer ser Papa’

De acordo com o parlamentar, o partido ainda não tem um calendário oficial para debater as candidaturas em 2022, pois aguarda as novas regras eleitorais serem votadas no Congresso Nacional.

“Ainda não existe um calendário oficial do partido para os debates para definições de candidaturas do ano que vem. A direção nacional está aguardando as definições no Congresso Nacional de possíveis mudanças na lei eleitoral para o ano que vem. De qualquer forma, aqui no Amazonas, muita gente, muitos filiados, simpatizantes, defendem que o PT lance candidatura ao governo e ao Senado, e também existe já os vários grupos vendo as indicações internas para chapas de deputado estadual e deputado federal”, disse ao Portal AM1.

Na semana passada, Zé Ricardo declarou que “gostaria de ser candidato a governador” e que este é o seu “desejo afetivo”, além de afirmar que tal assunto já foi tratado com dirigentes nacionais do partido. Em sua página oficial, o deputado tem divulgado atividades na capital e no interior do Amazonas.

PODE OU NÃO PODE?

Todas as pessoas alfabetizadas com título eleitoral que têm mais de 18 anos, estão em pleno exercício de seus direitos políticos e já atingiram a idade mínima exigida para o respectivo cargo que desejam pleitear podem se candidatar em uma eleição. Porém, para lançar sua candidatura de forma correta, é preciso ficar atento a algumas regras previstas na Lei nº 9.504/1997 (Lei das Eleições) e na Resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nº 23.610/2019.  

É permitido

Antes do período oficial de propaganda eleitoral, é permitido debater e discutir políticas públicas ligadas à saúde, segurança, economia e ao meio ambiente. Também não é considerada campanha eleitoral antecipada viajar, participar de homenagens e eventos, bem como publicar fotos e vídeos nos perfis das redes sociais. 

É proibido

Por outro lado, é proibido por lei declarar candidatura antes da hora e fazer qualquer pedido de voto de forma explícita ou implícita. O uso de outdoors para exaltar qualidades pessoais de possíveis candidatas e candidatos também não é permitido, e essa regra vale tanto no período eleitoral quanto fora dele. 

Como denunciar

Identificou alguma conduta irregular? Saiba que você, eleitora ou eleitor, pode ser fiscal do processo eleitoral. Em caso de suspeita, denuncie imediatamente às centrais de atendimento do Ministério Público Federal. A Justiça Eleitoral processará os envolvidos, mas só pode agir depois de apresentada a denúncia pelo MPF. 

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