Bancadas femininas serão destaques nas eleições em 2022 no AM

Com uma lei para incentivar a participação de mulheres na política, a formação das bancadas femininas amazonense se tornou destaque nos eventos de lançamento de candidaturas
Camila Duarte – Portal AM1
Publicado em 02/04/2022 05:00
Foto: Reprodução

Manaus, AM – Como uma maneira de incentivar a inserção de mulheres no meio político, para a corrida eleitoral deste ano, partidos se mobilizaram e formaram bancadas só de mulheres. No Amazonas não seria diferente, as siglas também uniram as forças femininas e colocaram as mulheres para disputar os cargos públicos, focando no marketing de que ‘elas precisam ser valorizadas’.

Para as eleições de 2022, a criação de uma bancada de mulheres está mais fortalecida, tanto pela força que o feminismo tem conquistado nos últimos anos, quanto pela representatividade e incentivo de incluir a mulher na política. Seguindo a linhagem, o Senado Federal aprovou no ano passado um Projeto de Lei que determina uma porcentagem mínima de cadeiras nas Câmaras dos Deputados, assembleias legislativas do Estado e em Brasília, e nas câmaras de vereadores, a serem preenchidas por mulheres.

A proposta seguiu para a Câmara, que também foi aprovada em regime de urgência. Ao todo, deve ser aplicado “o mínimo de 30% do valor recebido para as candidaturas proporcionais femininas, a serem repartidos entre mulheres negras e brancas, na proporção das candidaturas apresentadas pelo partido ou coligação”.

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Com uma lei que incentiva a entrada de mulheres na política, partidos políticos usaram essa possibilidade para expansão, sendo uma forma de a figura feminina lutar pelos seus direitos. Nesta semana, políticos amazonenses se movimentaram antes do fim da janela partidária para lançar as candidaturas. Com isso, também foi a oportunidade de mostrarem as candidatas que vão representar o partido e as mulheres como um todo.

No evento de lançamento de pré-candidaturas de deputados, o PSD-AM foi um dos partidos que aderiu à ideia de incluir uma bancada composta por mulheres. Intitulada de “Bancada Delas”, a ideia partiu do senador Omar Aziz, com o objetivo de incentivar mulheres no cenário político, além de ter mulheres que lutam por causas sociais no dia a dia e que vão fazer a diferença na Câmara Federal.

Entre os nomes que irão concorrer às cadeiras da Câmara, está a delegada da Mulher, Débora Mafra, que deixou o partido PSC para se filiar ao PSD. A legenda também conta com a vereadora de Itacoatiara, Andreia Mara e as conselheiras tutelares Adelyane Lobato, Rosália Bernardino, Kiki Anjos, Marinez Paz e Ana Paula Mesquita.

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“Sabemos que a lei escrita é perfeita, porém, na aplicação dela, a gente sabe como é a dificuldade aplicar. Então hoje como conselheiras sabemos dessa dificuldade, sabemos da necessidade de políticas públicas para que a gente possa, sim, garantir o direito dessa criança e desse adolescente”, disse Ana Paula durante a cerimônia de pré-candidatura.

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Luta pela mulher

Antes fora da disputa, a delegada Débora Mafra havia informado que não estava pensando em eleições. No entanto, ao Portal AM1 revelou que pensou no dia a dia enfrentado pela mulher para decidir ser pré-candidata. “A mulher não é só vítima da violência doméstica, como também da sociedade, nós ainda temos a cultura do estupro dentro do país, mulheres sofrendo no ambiente de trabalho, muitas vezes sendo assediadas sexualmente e não podendo pedir a conta porque que ela tem que sustentar seus filhos, muitas vezes temerosa em denunciar, muitas vezes sofrendo importunação sexual no ônibus”, disse.

Segundo a delegada, é uma satisfação poder ajudar outras mulheres e, se for eleita, pretende fazer a diferença. “Caso eu consiga vencer a candidatura para deputada federal eu quero fazer diferença, não somente ali com as leis, mas com minha personalidade, sempre combatendo qualquer tipo de violência contra a mulher”, afirmou.

Sendo uma nova eleição e que tem colocado a mulher sob o holofote, a delegada Débora Mafra afirmou que as mulheres sempre foram deixadas de lado, mesmo sendo maioria, mas que agora é a hora de ter a própria voz, principalmente em parlamentos.

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“É com grande importância que eu vejo essas chapas formadas por mulheres, porque precisamos ter uma representatividade à nossa altura, coisa que nunca tivemos, inclusive, mulher que não vota em mulheres”, comentou. “Se não tivermos, nós mulheres, nos parlamentos, como teremos leis que nos beneficie? Como teremos voz? Quem conta as dificuldades da mulher, principalmente as donas de casa, que criam seus filhos muitas vezes sem atenção, mas são chefes de família? Então, realmente, precisamos cada vez mais estarmos juntos, estarmos politizadas, lutando por um Brasil melhor”, completou

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Sobre a bancada do PSD, a pré-candidata afirmou que é bom ter mulheres que atuam e são engajadas em causas sociais e levantam uma bandeira. “Elas têm uma justificativa maior de querer entrar na política, porque elas já têm causas para lutar, que não são fáceis, e se não tivermos leis que nos amparem, essa luta se torna em vão”, destacou.

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“A Bancada Delas é muito interessante. É um grupo que trabalha junto mostrando a união das mulheres, e nosso partido já conversou com elas, já demonstrou como vai ser feito, e uma coisa muito boa, questão de sororidade, e fazendo valer a voz e vez da mulher”, comentou.

Mafra ressaltou que o objetivo é fazer com que o Amazonas possa ter representantes femininas e mostrar para o Estado que existem maneiras de melhorar a vida das mulheres e lutar e das causas sociais. Com isso, a delegada afirmou que a primeira bandeira que defenderá é a da mulher.

“Eu sei como a mulher sofre, sou mãe, sou esposa, sou profissional e trabalho em uma delegacia onde vejo mulheres por mulheres, que até emponderadas diante a sociedade, sofrem violência dentro de casa. Quero melhorar a vida das nossas mulheres, mas não só delas, como das nossas famílias também”, destacou.

O maior do Brasil

No último final de semana, o novo partido do governador Wilson Lima, o União Brasil, também lançou uma chapa de mulheres. O novo partido brasileiro é a maior sigla do Brasil, que surgiu após a fusão do DEM  com o PSL.

Assim como o PSD, o União Brasil também priorizou mulheres que são engajadas em ações sociais, em especial as que seguem a profissão de conselheiras tutelares. Liderada por Aná Campos, a bancada é formada por Ana Célia Santos, Iolane Oliveira, Nazaré Acris e Mayra Evangelista.

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“Nós fazemos a diferença dentro da nossa sociedade, dentro do nosso município e no Amazonas todo. Eu acredito que todos nós juntos vamos conseguir levantar ainda mais o nosso partido”, destacou Aná Campos durante o seu discurso.

Na disputa, serão oito candidatos, sendo três mulheres. Entre as candidatas, o União Brasil conta com a secretária-executiva da Pessoa com Deficiência, Lêda Maia e a delegada-geral da Polícia Civil do Amazonas, Emília Ferraz. 

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“Não estamos trazendo mulheres para compor chapa. Teremos representatividade. A partir de agora, com o surgimento do União, nós iniciamos uma nova história. Com união no Estado do Amazonas”, discursou o governador Wilson Lima durante o evento.

Segundo a delegada Emília Ferraz, ela vai deixar o cargo na Polícia Civil do Amazonas para focar na campanha eleitoral. “Como mulher corajosa, quero realmente que as mulheres ocupem mais e mais espaços, espaços na gestão, espaços até no setor privado. Não poderia ser diferente na política. Hoje, nós não temos uma única representante, em Brasília, pelo Amazonas”, afirmou.

“Eu sou uma mulher como tantas outras que um dia sonhou em melhorar o mundo, e esse sonho começou no momento em que eu decidi mudar completamente o rumo da minha vida em prol de acreditar. Eu acredito na união, eu acredito na união pelo Brasil, eu acredito na união pelo Amazonas, mas eu acredito, principalmente, na união de todas nós mulheres que um dia chegamos e esperamos por isso. Nós somos a maioria e podemos muito e podemos mais”, destacou a delegada.

Bancada feminina em 2020

Nas eleições de 2020, a formação da bancada coletiva de mulheres foi novidade para os eleitores manauaras. A formação da bancada do PSol foi formada por candidatas para concorrer na Câmara Municipal de Manaus, mas o partido não conseguiu eleger.

Ao todo, foram 7.662 mil votos, sendo a quinta candidatura mais votada, no entanto, o partido não conseguiu alcançar o quociente eleitoral, que para eleger um candidato, o partido precisaria atingir cerca de 23 mil votos, ou chegar próximo dele.

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Foto: Divulgação

Após as eleições, a representante da bancada, Michelle Andrews, agradeceu os votos e a confiança depositada nelas e fez um convite aos eleitores para que possam colaborar com o partido. “Faço outro pedido: vem construir o PSOL Amazonas comigo”, pediu.

A candidatura coletiva do PT ‘Mulheres na Resistência’ recebeu apenas 409 votos, mas a representante Simone Lisboa ficou como suplente.

Em outubro, saberemos se, finalmente, a proposta conquistará os objetivos feministas traçados.

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