Manaus registra 55 mortes violentas nos 12 primeiros dias do ano

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Manaus registra 55 mortes violentas nos 12 primeiros dias do ano

Número de homicídios nas primeiras semanas de janeiro já é alarmante e preocupa a cúpula da Segurança Pública do Amazonas

Número de homicídios preocupa a Segurança Pública (Josemar Antunes/Amazonas1)

A onda da violência cometida por membros de facções criminosas e desavenças pessoais só aumentou nos últimos 12 dias de janeiro de 2020. Ao todo, 55 mortes violentas foram registradas nesse período.

Parte dessas mortes, segundo investigações da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) e do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), está relacionada ao envolvimento das vítimas com o tráfico de drogas.

Para combater o crime organizado, a policial Civil e Militar tem intensificado as operações em várias zonas de Manaus.

Mas o contingente de policiais nas ruas não intimida os criminosos que desafiam a cúpula da segurança pública do Amazonas com execuções em todas as zonas da cidade.

As organizações criminosas Comando Vermelho (CV) e Família do Norte (FDN) disputam os territórios das vendas de drogas nas comunidades e bairros da capital.

Vários vídeos foram compartilhados nas redes sociais mostrando armamentos de grosso calibre e vítimas sendo torturadas antes de serem executadas.

Nessa disputa pelo poder do tráfico estão os narcotraficantes líderes das facções criminosas.

Pela FDN, João Pinto Carioca, o “João Branco”, ou “Potência Máxima”, e José Roberto Fernandes Barbosa, chamado de “Zé Roberto da Compensa”, e Marcelo Frederico Laborda, o “Marcelinho”, cunhado do “Zé Roberto”, que mesmo presos em unidades prisionais federais, ainda comandam a organização e ordenam missões aos “soldados e gerentes” da organização.

Já pelo lado do CV, os narcotraficantes Wellington Cardoso dos Santos, conhecido como “Mano Kaio” ou “Kaio do 40”; Alexsandro Oliveira dos Santos, o “Sandrinho”, Gelson Lima Carnaúba, o “Mano G” (ex-líder da FDN), além de outros criminosos como Jeremias Ribeiro da Silva, o “Jerê”, do Mauazinho, são apontados nas investigações do serviço de inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP) por envolvimento em vários assassinatos nos últimos meses de 2019 em, pelo menos, 12 bairros da zona sul de Manaus.

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Um dos chefões do CV, “Mano Kaio”, que está em guerra com  líderes da FDN pelo domínio do tráfico, é temido pelos rivais e considerado um sanguinário pela polícia.

O criminoso, de alta periculosidade, segue ordenando execuções de rivais em Manaus. Ele conseguiu fugir do sistema prisional do Amazonas no dia 12 de maio de 2018, por meio de um túnel cavado no Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM).

Após a fuga, ele se infiltrou em um morro no Rio de Janeiro (RJ).

“Mano Kaio” chegou a ser preso no dia 18 de agosto de 2017, pela equipe da DEHS, com apoio da Força Nacional e a Polícia Civil do Rio de Janeiro.

A prisão do procurado ocorreu na região dos Lagos (RJ), local onde “Mano Kaio” negociava armas e drogas com membros do CV, na Favela do Jacarezinho.

Joyce Queiroz da Silveira, de 24 anos, foi morta com três tiros na cabeça (Foto: Josemar Antunes/Amazonas1)

Na época da prisão, os policiais civis apreenderam 300 quilos de maconha e armas. Conforme informações da polícia, o traficante responde 13 processos no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) pelos crimes de homicídio, tráfico de drogas, associação criminosa, roubo e roubo majorado.

O criminoso chegou a ser condenado pela Justiça a 36 anos de prisão em regime fechado, após ser julgado à revelia em dois processos distintos por homicídio.

Crimes

De junho até o início de agosto do ano passado, foram registrados 14 assassinatos e 17 tentativas de homicídios nos bairros Betânia, Centro, Crespo, Japiim, Morro da Liberdade, Petrópolis, São Lázaro e Santa Luzia, todos situados na zona Sul da capital.

Em outubro de 2019, a SSP-AM divulgou queda em 16% nos 624 casos de assassinatos durante o período de janeiro a agosto em comparação ao mesmo registrado do ano de 2018, quando foram contabilizados 748 homicídios.

Os dados mostram, ainda, que a criminalidade na capital também se expandiu após o surgimento de invasões. A maioria dos lugares controlados por facções criminosas são reflexos de problemas geográficos e sociais no Estado.

O domínio nessas áreas tem alimentado a crise na segurança pública e o medo nas pessoas. Com isso, a sociedade fica à mercê do crime, visto que  pessoas inocentes também morrem no conflito de facções criminosas.

Locais violentos

De acordo com os dados do Atlas de Violência 2019, os crimes tiveram crescimento na região metropolitana e cidades do interior do Estado.

Os altos índices de assassinatos chegaram aos municípios de Anori, Atalaia do Norte, Autazes, Beruri, Boa Vista do Ramos, Borba, Caapiranga, Careiro Castanho, Careiro da Várzea, Carauari, Coari, Codajás, Eirunepé, Envira, Itacoatiara, Iranduba, Jutaí, Lábrea, Manacapuru, Manaquiri, Maués, Nova Olinda do Norte, Novo Airão, Novo Aripuanã, Parintins, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, Silves, Tabatinga, Tefé e Urucurituba.

Investigações

Em Manaus, as investigações já levaram à prisão de vários integrantes de facções criminosas.

Um dos soldados de “Mano Kaio”, conhecido como “Argentino”, foi preso pela equipe da Força Tática. Além dele, a polícia obteve apelidos de outros soldados do traficante, identificados como “Pica-Pau”, “Diego” e “Ney”, que recebem ordens para executar rivais.

Acompanhe passo a passo as mortes dos 12 dias de Janeiro de 2020

Nessa guerra aparentemente interminável, os primeiros 12 dias de janeiro já começaram violentos. No 1º dia de janeiro deste ano, a polícia registrou duas mortes por lesão de arma de fogo e arma branca na capital.

Na rua Estrela do Amazonas (antiga 31 de Maio), no bairro Tancredo Neves, na zona Leste, o açougueiro Kedson Carvalho da Silva, de 35 anos, foi morto com três facadas e vários golpes de perna-manca. A vítima era usuária de drogas.

O segundo assassinato foi registrado por volta das 10h, no bairro Compensa, na zona Oeste. O estudante Gelcimar Santos de Souza, de 19 anos, foi executado com sete tiros no cruzamento das ruas Santa Maria da Vitória e Juraci Camargo. A vítima ainda foi socorrida ao Serviço de Pronto Atendimento (SPA) Joventina Dias, no mesmo bairro, onde morreu minutos depois.

No dia 2, mais dois assassinatos foram registrados. O carregador Claudionor Mariano Bispo de Souza, de 67 anos, morreu após ser atingido com seis facadas.

A vítima foi encontrada morta em uma área de mata, seminua, na avenida Lírio do Amazonas, comunidade São João, no quilômetro 4 da BR-174, zona rural de Manaus.

Segundo informações da polícia, o crime ocorreu após Claudionor se envolver em uma discussão com a esposa, que fugiu do local. O casal ingeria bebidas alcoólicas dentro da residência com um grupo de amigos.

Morte no beco

Por volta das 10h, no Beco do Inácio, na rua Louro Aritu, no bairro Monte das Oliveiras, na zona Norte, Lucas Mendes Cabral, de 18 anos, foi alvejado com um tiro na testa.

O jovem ainda foi levado com vida ao SPA Galiléia, onde morreu após ficar em coma induzido.

De acordo com informações da 26ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), dois homens desconhecidos chegaram ao local e efetuaram os disparos.

A vítima já tinha passagem por tráfico de drogas e era integrante da facção criminosa FDN. Já os autores são membros do CV.

Terceiro dia sangrento

Já no dia 3, a polícia registrou nove assassinatos. Por volta de 00h e 10 min, o autônomo Jean Carlos Santos de Castro, de 27 anos, foi encontrado morto com oito tiros e sinais de tortura, em um trecho do ramal da Praia Dourada, no bairro Tarumã, na zona Oeste. No local, foram recolhidas cápsulas de munições deflagradas de calibre 9 e 380 milímetros.

Outro homicídio foi registrado pela polícia, por volta das 2h. Dessa vez, um homem conhecido apenas como “Leandrinho Mil Grau”, foi assassinado com três tiros na cabeça. O crime ocorreu o Beco Acochado, na rua Boa Sorte, no bairro Presidente Vargas, na zona Sul da capital.

Pelas informações coletadas no local pela polícia, a vítima era usuária de drogas e envolvida com roubos na área. Alguns moradores relataram, ainda, que a vítima tinha envolvimento com o tráfico de drogas.

No Pronto-Socorro (PS) Dr. João Lúcio, um homem, ainda não identificado, morreu após ser esfaqueado na Alameda Cosme Ferreira, no bairro São José, na zona Leste. A autoria e motivação do crime ainda são desconhecidas pela polícia.

A quarta morte do dia 3 ocorreu por volta das 10h30, na rua Estrela do Amazonas (antiga 31 de Maio), no bairro Tancredo Neves, na zona Leste. Foi o segundo crime de homicídio na mesma rua, em menos de três dias.

Alexsandro de Souza Reis, de 33 anos, foi morto com um tiro no tórax e 16 facadas no pescoço após ser perseguido por supostos integrantes de uma facção criminosa. De acordo com a equipe da DEHS, a vítima já tinha passagem pela polícia por tráfico e agressão contra mulher.

Ainda no dia 3, Jozimar da Silva Ribeiro, de 36 anos, foi assassinado com duas facadas. O crime ocorreu por volta das 19h20, na rua Angico Fava (antiga das Flores), no bairro Santa Etelvina, na zona Norte.

Jozimar tentou proteger sua sobrinha que estava sendo agredida pelo marido. Ao apartar a briga do casal, Luiz Alves da Silva armou-se de uma faca e desferiu os golpes nas costelas e peito do cunhado. O autor fugiu do local após a vítima ser levada ao SPA Galiléia, na mesma zona.

O sexto assassinato do mesmo dia e décimo do mês de janeiro ocorreu por volta das 20h, na rua Leão de Judá (antiga E14), no bairro Nova Esperança, na zona Oeste.

O motoboy Idalvan Martins da Silva, de 33 anos, foi executado com cinco tiros. A vítima caminhava pela rua quando foi abordada por ocupantes de um carro desconhecido.

Idalvan ainda tentou fugir, mas foi atingido com tiros na região lombar, no rosto e no ombro esquerdo. Com a vítima, foi encontrada uma trouxinha de maconha. Segundo a políca, Idalvan já tinha sido preso por tráfico de drogas e respondia ao crime em liberdade com uso tornozeleira eletrônica. A vítima também era membro da FDN.

A décima primeira vítima da violência urbana foi Derickson Ferreira da Silva, de 20 anos. Ele foi morto com um tiro nas costas, na noite do dia 3, por volta das 20h38, na Feira do Braguinha, no conjunto Amazonino Mendes, também conhecido como “Mutirão”, bairro Novo Aleixo, zona Norte.

Informações repassadas pela polícia são de que a vítima estava consumindo entorpecentes com um grupo de amigos, quando houve um desentendimento.

Derickson tentou correr, mas foi alcançado e morto na frente de várias pessoas. Ninguém foi preso pela autoria.

O décimo segundo registro de morte ocorreu por volta das 20h40, após o estudante Gabriel Ruan de Souza da Costa, de 18 anos, não resistir aos ferimentos por arma de fogo no Pronto-Socorro Dr. João Lúcio.

A vítima foi baleada por volta das 11h30, do dia 29 de novembro de 2019, na rua Tobias Barbosa (antiga São Pedro), no bairro Morro da Liberdade, na zona Sul.

Em depoimento na DEHS, os familiares relataram que Gabriel Ruan foi abordado por um homem que questionou se o jovem era CV.

Mesmo com a negativa, o homem invadiu a casa da vítima e efetuou os disparos à queima-roupa. Em seguida, o atirador fugiu com uma mulher que estava ocupando um carro, de características não reconhecidas.

Para fechar os registros de mortes do terceiro dia do mês de janeiro, a décima terceira pessoa assassinada foi o industriário Mateus de Almeida Magalhães, de 25 anos.

Ele foi morto com um tiro no rosto, por volta das 23h40, no Beco São Luiz, na rua Santo Agostinho, no bairro Coroado 3, na zona Leste. O autor do crime já está sendo investigado pela Polícia Civil.

Recado das facções

No quarto dia, o autônomo Charles Gomes da Fonseca, de 44 anos, foi encontrado morto dentro de um carro Palio, cor vermelha, de placa JXK-7306.

O veículo foi abandonado por volta de 0h30, na avenida Camapuã, comunidade Nossa Senhora de Fárima, no bairro Novo Aleixo, na zona Norte. A décima quarta vítima foi morta com quatro tiros, sendo na cabeça, nas costas e tórax.

Por volta de 1h50, o autônomo Edelbrando Leite Brandão, de 38 anos, conhecido como “Macaco Louco”, foi morto com seis facadas.

Populares informaram à polícia que um grupo de, aproximadamente oito pessoas, armadas com facas, perseguiu a vítima.

Um desentendimento na Praça dos Remédios teria iniciado durante o consumo de entorpecentes, conforme relatos de testemunhas.

O décimo quinto crime de homicídio ocorreu na rua Isabel, no bairro Centro, na zona Sul. Nenhum suspeito foi preso pela autoria.

Em horário ignorado, foi encontrado morto com tiros na cabeça o adolescente Henrique Vitório Batista do Nascimento, de 16 anos.

A vítima estava jogada com mãos e pés amarrados, em um terreno na rua Waldemar Jardim Maués, no conjunto Colônia Japonesa, no bairro Parque Dez de Novembro, na zona Centro-Sul.

Engenheira assassinada pelo funcionário

Já no final da tarde de sábado, 4, a engenheira Andréia Defaveri Vasconcelos, de 46 anos, foi encontrada morta dentro de um veículo, modelo Honda Civic, de cor prata e placa JXS-6773, no estacionamento do Hospital e Pronto Socorro 28 de Agosto, na avenida Mário Ypiranga, no bairro Adrianópolis, zona Centro-Sul.

Segundo informações da polícia, a mulher foi estrangulada, com uma espécie de ‘cordão’, que estava enrolado no pescoço. Ela estava desaparecida desde a tarde de sexta-feira, 3, após sair de casa para encontrar com um homem.

O autor do crime foi preso na tarde do dia 9, pela equipe da DEHS, no bairro Cidade Nova, na zona norte. Jefferson Borges de Souza, de 33 anos, confessou o crime e afirmou que a engenheira emprestava dinheiro a juros e ele trabalhava cobrando os clientes.

Outro crime registrado pela polícia, no mesmo dia, foi de Benevenuto da Silva dos Santos, de 38 anos. Com ferimentos de arma de fogo, o motociclista ainda foi levado com vida ao SPA do Coroado, na zona Leste. O crime ocorreu por volta das 17h, na rua Professora Raimunda Magalhães, no bairro Coroado.

Quinto dia

No quinto dia janeiro, o Instituto Médico Legal (IML) registrou cinco mortes. O chef de cozinha Williams Rogério Simões da Silva, 39 anos, foi morto a tiros com vários, por volta das 2h, na rua Ibicaré (antiga Circular 2), conjunto Amazonino Mendes, também conhecido como “Mutirão”, no bairro Novo Aleixo, na zona Norte.

De acordo com a DEHS, Williams Rogério estava saindo do Boteco do Dimel, onde trabalhava, quando foi surpreendido por ocupantes de um carro. Toda a ação criminosa foi registrada por câmeras de segurança.

A vítima ainda foi socorrida ao Hospital e Pronto-Socorro (HPS) Dr. Platão Araújo, na zona Leste, onde morreu, por volta das 4h. Williams Rogério já tinha passagem por tráfico de drogas e estava trabalhando há mais de um mês na cervejaria.

Matheus Carmo dos Santos, de 25 anos foi torturado e morto a pauladas e teve o rosto desfigurado. O crime ocorreu em uma área de mata, na Estrada da Floresta, também conhecida como “Estrada da Vivenda Verde”, no bairro Tarumã, na zona Oeste.

A irmã da vítima, Priscila Xavier dos Santos, informou que Matheus era usuário de drogas e se tratava há um ano em uma clínica de reabilitação para dependentes químicos, nas proximidades do crime.

Vinte mortes

O vigésimo primeiro homicídio na capital amazonense ocorreu por volta das 17h, do dia 5, na rua Aires da Cunha com a rua Criciúma, no bairro Alvorada, na zona Centro-Oeste.

O auxiliar de serviços gerais Hildo dos Santos Barroso, de 28 anos, foi assassinado com tiros na cabeça e nas costelas.

Testemunhas relataram que a vítima estava sendo perseguida por dois homens. Na tentativa de escapar pela área de rip-rap, outro homem já aguardava o alvo, que foi atingido com três tiros na cabeça e dois nas costelas.

A vítima usava tornozeleira eletrônica, da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap). Os criminosos fugiram em um carro HB20, de cor branca. Para a polícia, o crime pode ter sido acerto de contas relacionado ao tráfico de drogas.

O vigésimo segundo homicídio do mês foi registrado e o segundo, em menos de seis horas, na zona Centro-Oeste. Com dez tiros, o vendedor Raymundo Rayson Carvalho Peixoto, de 30 anos, foi assassinado na Praça Pró-Menor Dom Bosco, no bairro Dom Pedro.

Raymundo Rayson estava praticando atividades físicas ao ar livre. Após terminar os exercícios, dois homens se aproximaram e efetuaram os disparos. Os criminosos fugiram em um carro Celta, de cor preta. A vítima era usuária de drogas.

Por volta das 21h30, também no dia 5, o auxiliar de padaria Tonny Wallison Ribeiro da Silveira, de 42 anos, foi assassinado com cinco tiros. O crime ocorreu no Beco Batista, no bairro Educandos, na zona Sul.

Segundo a polícia, Tonny Wallison estava fumando em frente de casa quando foi surpreendido por um homem a pé. Os tiros atingiram a cabeça da vítima, que morreu no Hospital e Pronto-Socorro (HPS) 28 de Agosto, no bairro Adrianópolis, na zona Centro-Sul.

Após o crime, dois homens, sendo um vizinho, e um irmão da vítima, são apontados como principais suspeitos do crime. A vítima era usuária de drogas.

Dez homicídios em um dia

No sexto dia de janeiro, por volta das 3h, dez assassinatos foram registrados. Marcos Bruno Amaral, de 26 anos, foi encontrado morto em um antigo lava jato, situado na avenida Oitis, no bairro Gilberto Mestrinho, na zona Leste.

A vítima tinha mãos amarradas e foi morta com dois tiros, sendo um no lado esquerdo do pescoço e outro no lado direito do rosto.

Quase três horas depois do mesmo dia, o corpo de Natan Felipe Silva de Souza, de 23 anos, foi encontrado dentro de um saco de fibra, em um trecho da avenida Hibisco, no bairro Distrito Industrial 2, na zona Leste. Com mãos e pés amarrados para trás, a vítima foi morta com dois tiros e teve o pescoço degolado.

Por volta das 17h, na rua Cachoeira do Niágara, no bairro Novo Aleixo, na zona Norte. Carlisson Vinícius Lima de Oliveira, de 17 anos; o hidráulico Jasson dos Santos Carneiro, de 33 anos, e o motorista de transporte por aplicativos Phillip Araújo Pinheiro, de 27 anos, foram executados a tiros e facadas.

Segundo a polícia, Carlisson e Jasson, estavam jogados no banco traseiro do veículo, com mãos e pés amarrados para trás. Já Phillip, que estava no banco de passageiro, foi levado com vida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ao Pronto-Socorro Dr. João Lúcio, na zona Leste, onde morreu às 20h30.

Das três vítimas, Jasson já tinha passagem pela polícia por porte ilegal de arma de fogo. Já Phillip respondeu processo de tráfico de drogas. O triplo homicídio é tratado como acerto de contas relacionado ao tráfico de drogas.

Na rua Cacau Pirêra, no bairro São José, uma mulher foi encontrada morta dentro de uma caixa d’água. O fato ocorreu em uma vila de apartamentos. Com idade entre 20 a 25 anos, a vítima já em estado de decomposição, foi encontrada por um inquilino, de nacionalidade venezuelana, que acionou a polícia.

Os moradores relataram que a mulher era usuária de drogas e tinha um relacionamento amoroso com um dos inquilinos, que não foi encontrado no local. O recipiente foi descartado pelos moradores do prédio após os trabalhos de perícia.

Com 13 tiros, o detento do regime semiaberto Felipe Pereira Gomes, de 27 anos, foi executado na noite do dia 6, no Beco São José Baratá, na rua São Lucas, bairro São Lázaro, zona Sul. A vítima, que usava tornozeleira eletrônica, estava jurada de morte e foi atingida com tiros nas costas e cabeça.

Em outra ação criminosa do dia 6, o autônomo Amalyson Costa da Silva, de 32 anos, conhecido como “Loirinho”, foi executado com nove tiros, no Beco Poconé, na rua Arthur Neto, no bairro Armando Mendes, na zona Leste.

Testemunhas relataram que os criminosos chegaram a pé e efetuaram vários tiros contra “Loirinho”, que morreu no local. Os assassinos não foram identificados. A vítima já tinha sido presa por quatro anos e era envolvida com o tráfico de drogas.

Internado há três dias após ser alvejado a tiros, o agente de portaria Eduardo Pereira Silva, de 27 anos, morreu no Pronto-Socorro Dr. João Lúcio, na zona Leste. De acordo com a DEHS, que investiga o crime, a vítima foi baleada por volta das 3h do dia 1º, na rua Dr. Gentil Bitencourt (antiga rua 13), no bairro Alvorada 3, na zona Centro-Oeste.

O décimo homicídio do dia ocorreu na rua Elesbão Veloso (antiga rua 14), no bairro Cidade Nova, na zona Norte. O professor de jiu-jitsu Thiago Campos da Silva, de 30 anos, foi alvejado com tiros na cabeça e morreu no Hospital e Pronto-Socorro (HPS) Dr. Platão Araújo, na zona Leste.

Durante consulta ao Sistema Integrado de Segurança Pública do Amazonas (Sisp-AM), consta que Thiago já tinha passagem por roubo e estava cumprindo regular da pena privativa de liberdade em regime semiaberto.

Ao comparecer no setor psicossocial da Vara de Execuções Penais (VEP), espontaneamente, Thiago revelou que estava no semiaberto do sistema prisional, mas após rebelião passou ser ameaçado de morte por outros detentos para que cumprisse as diretrizes da organização criminosa.

Mulheres estão nas estatísticas

No dia 7, a autônoma Joyce Queiroz da Silveira, de 24 anos, foi executada com três tiros na cabeça, na rua Caravelle, no bairro Tarumã, na zona Oeste.

O corpo da vítima já estava em avançado estado de decomposição e foi jogada de bruços em um sítio. A vítima já havia sido presa por associação ao tráfico de drogas, no dia 22 de fevereiro de 2015. Recentemente, Joyce havia deixado de usar tornozeleira eletrônica.

Nas primeiras horas da manhã do dia 9, a autônoma Walcimara da Cruz Vasconcelos, de 23 anos, foi encontrada morta, em um trecho de obras do complemento da avenida Nathan Xavier, no bairro Tancredo Neves, na zona Leste.

Ela foi morta com três tiros, sendo dois na cabeça e um na mão esquerda. Segundo a polícia, Walcimara era envolvida com o tráfico de drogas e fazia parte do CV.

Zona Sul

Pelo oitavo dia de janeiro, o estudante Rômulo Cézar Costa da Silva, de 17 anos, foi executado com quatro tiros, durante a madrugada dentro de uma casa, no Beco São Cristóvão, na rua do Aterro, no bairro Betânia, na zona Sul.

Segundo os moradores, um grupo de, aproximadamente 30 homens da facção criminosa Comando Vermelho (CV), chegaram ao local a pé e, em seguida, invadiram o imóvel de madeira onde Rômulo dormia com a namorada.

Durante a ação, Rômulo foi alvejado com três tiros no peito e um no pescoço. Ele morreu no local. A namorada foi baleada e levada para o Pronto-Socorro Dr. João Lúcio, na zona Leste.

Com passagens por tráfico de drogas e roubo, a vítima era integrante da FDN e vinha se escondendo após receber ameaças de morte do amigo de infância, identificado como Ítalo, chamado de “Bolota”.

O suspeito, que faz parte do CV, chegou a oferecer R$ 1 mil aos soldados do tráfico pela cabeça de Rômulo, como forma de mostrar fidelidade â facção criminosa.

Rua Amazonas

Outro homicídio foi registrado na rua Indiara (antiga Rio Amazonas), no bairro Novo Aleixo, na zona Norte. Renan Souza da Gama, de 9 anos, morreu no Pronto-Socorro da Criança, o “Joãozinho”, na zona Leste, após ser atingido com um tiro no peito, enquanto brincava de bicicleta nas proximidades de casa.

Seis homens chegaram ao local em um carro fortemente armados para executar Dennis da Silva Marinho, de 33 anos, conhecido como “Chaparral”, que foi baleado.

Na mesma ação criminosa, David Barros da Silva, de 20 anos, que saiu de casa para cortar cabelo, foi alvejado com um tiro na mão e outro na perna.

Os dois sobreviventes foram socorridos e levados ao Pronto-Socorro Dr. João Lúcio, onde passaram por cirurgias. Conforme informações da polícia, Dennis é integrante do CV e é suspeito de cometer vários crimes.

O conferente Davi Willian Oliveira de Souza, de 28 anos, morreu após ser atingido com um tiro no rosto, em uma balsa da Feira da Manaus Moderna, no bairro Centro, na zona Sul de Manaus.

A vítima conferia mercadorias para uma embarcação quando foi surpreendido por um homem desconhecido. O autor fugiu em uma motocicleta com ajuda de um comparsa.

Com um tiro no tórax, o ajudante de pedreiro Daniel Souza da Rocha, de 20 anos, conhecido como “Bactéria”, foi morto dentro da casa onde morava, na rua Arraial do Cabo (antiga rua Universal), comunidade João Paulo, bairro Jorge Teixeira, zona Leste de Manaus.

Segundo a polícia, um homem desconhecido chegou ao local e chamou pela vítima. Em seguida, efetuou o disparo à queima-roupa e fugiu sem ser identificado.

Décimo dia

Na madrugada do dia 10, o ajudante de pedreiro Luiz Carlos Gomes Leitão, de 38 anos, conhecido como “Cabecinha”, foi executado com 13 tiros, na rua Maniva (antiga Jerusalém), no bairro Novo Israel, na zona Norte de Manaus. A vítima seria traficante da área e crime pode ter relação com o tráfico de drogas.

De acordo com o levantamento da DEHS, Luiz Carlos estava ingerindo bebidas alcoólicas com quatro pessoas em um bar, quando dois homens desconhecidos chegaram ao local em uma motocicleta e um deles abriu fogo.

Os assassinos fugiram sem serem identificados. A vítima tinha envolvimento com o tráfico de drogas e havia matado no mesmo local o próprio cunhado.

Três horas depois do assassinato no bairro Novo Israel, outro crime foi registrado pela polícia. O auxiliar de produção Fábio Willy Santos de Alencar, de 43 anos, conhecido como “Fabão”, foi morto com três tiros no tórax, na rua Curica, no bairro São José 2, na zona Leste.

Fábio Willy caminhava pela rua quando foi abordado por dois homens em uma motocicleta, com características não reconhecidas.

Após o crime, os dois homens fugiram sem serem identificados. À polícia, os familiares contaram que Fábio tinha problemas de saúde mental e ingeria bebidas alcoólicas diariamente e, que não era usuário de drogas.

Por volta das 21h, na rua Antônio Sérgio Veiralves (antiga Perimetral), no bairro Novo Aleixo, o catador de latinhas Carlos Eduardo Ferreira Medeiros, de 23 anos, foi atingido com dois tiros na cabeça e outro no braço direito. A vítima era usuária de drogas e morreu três dias depois no Pronto-Socorro Dr. João Lúcio, na zona Leste.

Segundo a polícia, Carlos Eduardo estava em um ponto de ônibus esperando a mãe, quando ocupantes de um carro se aproximaram e, em seguida, efetuaram os disparos. Antes de morrer por volta das 16h55 do dia 9, o jovem revelou que um dos autores foi Luiz Fernando, conhecido como “Foguinho”, morador das proximidades do bairro Novo Aleixo e integrante de uma facção criminosa.

Dia 11

A primeira ocorrência do dia 11 ocorreu por volta das 3h, na rua Rio Acará, no bairro Lago Azul, na zona Norte. Cleison Pinheiro dos Santos, de 23 anos, foi agredido com pedradas na cabeça até a morte. A autoria e motivação do crime ainda são desconhecidas pela polícia.

Em menos de uma hora, outro assassinato foi registrado na capital. O professor de educação física Flávio do Nascimento Soares, de 54 anos, foi assassinado com um tiro na nuca durante a madrugada dentro do próprio carro.

O crime ocorreu na avenida Belo Horizonte, no bairro Adrianópolis, na zona Centro-Sul de Manaus, após a vítima abastecer o carro que dirigia modelo Gol, cor vermelha, de placa PHN-0500.

Um homem desceu e atirou contra Flávio, que morreu na hora. Câmeras de segurança do posto de combustível gravaram o assassinato e devem ajudar nas investigações da DEHS.

Por volta das 11h, de sábado, 11, a polícia foi acionada após tiroteio em um bar na avenida Presidente Kennedy, no bairro Educandos, na zona Sul. Três homens foram baleados enquanto ingeriam bebidas alcoólicas no Bar e Restaurante da Paraense.

Testemunhas relataram que ação criminosa foi praticada por quatro homens em duas motocicletas. Os suspeitos passavam pelo local quando avistaram o grupo de seis pessoas no bar. Em seguida, dois homens desceram e efetuaram os disparos contra o grupo.

No local, morreram Marcos Antônio Leite Nunes, de 19 anos, e Anderson Costa da Silva, de 27 anos. Já Thiago Bruno Maia Brito, de 29 anos, um dos sobreviventes, morreu por volta das 21h30, do mesmo dia, no Pronto-Socorro Dr. João Lúcio, na zona Leste. Outras três pessoas conseguiram fugir.

Durante levantamentos no local de crime, a polícia obteve informações que os autores são integrantes da FDN. Já as vítimas eram do CV. O triplo homicídio está sendo investigado pela DEHS.

Ainda na zona Sul de Manaus, o vendedor Jancleison da Silva Lino, de 32 anos, conhecido como “Forminguinha”, foi encontrado morto dentro da residência, localizada na Vila Bittar, na rua do Igarapé de Manaus, no bairro Centro.

Segundo informações da polícia, a vítima foi encontrada nua por um amigo, identificado como José, que dividia o aluguel do quarto.

Imagens de câmeras de segurança registraram a entrada da vítima durante a madrugada acompanhada de um homem, ainda não identificado.

O homem deixou a residência levando alguns pertences da vítima. Uma televisão, um celular e uma bicicleta não foram encontrados no local, o que indica crime de latrocínio (roubo seguido de morte).

A DEHS obteve informações que Jancleison costumava receber na quitinete o namorado, identificado como Anderson. O homem está sendo investigado, mas a equipe da especializada não descarta a participação de outra pessoa ligada ao vendedor.

Cemitério clandestino

Em continuidade aos registros de crimes, dois corpos foram encontrados em pontos distintos da Reserva Florestal Adolpho Ducke

Um homem, ainda não identificado, foi encontrado dentro de uma cova na posição fetal. Já em avançado estado de putrefação, a vítima apresentava sinais de agressão física e foi morta com tiros na cabeça.

O segundo corpo foi localizado por volta das 13h, em avançado estado de putrefação, na rua Margarida Africana, na comunidade Aliança com Deus, no bairro Cidade de Deus, na zona Norte. Erick Silva Almeida, de 17 anos, foi enterrado em uma cova rasa.

Erick Silva Almeida, de 17 anos, foi encontrado morto em uma área de reserva florestal (Fotos: Josemar Antunes/Amazonas1)

Segundo a polícia, o adolescente foi morto a tiros e apresentava sinais de asfixia por estrangulamento. Erick estava desaparecido desde o dia 2 de janeiro deste ano, após sair de casa para morar com amigos. O jovem também fazia parte da FDN.

Mais corpos no dia 11

Com ferimentos de tiro e facada, um homem foi encontrado morto no terreno da empresa Pemaza, na avenida Palmeira do Miriti, na comunidade Nova Vitória, no bairro Gilberto Mestrinho, na zona Leste. Não há informações de autoria e motivação do crime.

O último caso registrado no sábado, 11, foi por lesão de arma branca. Mayke Araújo de Pinho, de 35 anos, morreu no SPA Zona Sul. A vítima foi esfaqueada no pescoço após uma briga por motivo ainda desconhecido. O crime ocorreu na rua Beira Mar, no bairro Educandos, na zona Sul. O autor do assassinato já está sendo investigado pela Polícia Civil.

Dia 12

No último domingo, 12, três pessoas foram mortas a tiros, sendo uma delas por intervenção policial. Os casos foram registrados entre 10h e 16h.

O primeiro caso ocorreu na rua Walter Rayol, no bairro Presidente Vargas, na zona Sul. Um homem, ainda não identificado pela polícia, com idade entre 25 a 30 anos, foi morto com um tiro na nuca.

A vítima foi encontrada debaixo da ponte do bairro, em uma área de mata e de difícil acesso. Segundo moradores, a área onde o corpo foi encontrado é visitada por usuários de entorpecentes. Para a polícia, o crime pode ter relação com o tráfico de drogas.

A segunda morte do dia foi de Jackson Tekemi Vieira da Cunha, de 32 anos, foi atingido com um tiro nas costelas durante uma intervenção policial, na rua Igarapé São José (antiga 31), no Mutirão, bairro Novo Aleixo, na zona Norte.

Segundo informações do tenente Ericksen, da 27ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), o homem foi cercado pelas viaturas após ser denunciado que estava com produto de roubo. Ao perceber o cerco, Jackson apontou uma arma de fabricação caseira e tentou contra a vida dos policiais militares, que revidaram a ação.

O suspeito ainda foi levado com vida ao Hospital e Pronto-Socorro (HPS) Dr. Platão Araújo, na zona Leste, onde morreu por volta das 14h40, do mesmo dia. Com Jackson, foi apreendida uma arma caseira calibre 28 com duas munições, sendo um delas deflagrada.

Fim dos crimes da semana

A última ocorrência do domingo, 12, foi registrada por volta das 16h, na avenida Ticuna, no bairro monte das Oliveiras, na zona Norte. Matheus da Silva Leandro, de 23 anos, foi assassinado com nove tiros, que atingiram cabeça, tórax e costas.

Segundo informações do tenente Ronaldo Azevedo, da 26ª Cicom, Matheus estava sentado em um canto da casa onde morava com a família, quando dois homens desconhecidos pela polícia, chegaram ao local em uma motocicleta.

Em seguida, o garupa desceu da moto, de placa e modelo também ainda não identificados, foi em direção da vítima e efetuou vários disparos, de pistola calibre 380 milímetros. Várias cápsulas da arma foram encontradas no local.

De acordo com a DEHS, a vítima já tinha passagem pela polícia por tráfico de drogas e respondia a outros processos na Justiça. O crime será investigado pela especializada.

Para o delegado George Gomes, titular do Departamento de Polícia Metropolitana (DPM), as primeiras semanas de janeiro com o registro 55 mortes já é alarmante e preocupa a cúpula da segurança pública.

“Com certeza o número fugiu do padrão que estávamos acostumados, mas já tivemos reuniões na cúpula da segurança pública para descobrir os envolvidos e impedir as ações criminosas. A população pode ter certeza, que as investigações serão iniciadas para prender os envolvidos nesses crimes. Não podemos antecipar nomes de suspeitos para não atrapalhar as investigações. Não importa quem morreu. A Polícia Civil não pode deixar crimes acontecerem e nem permitir que criminosos fiquem na impunidade, principalmente quando uma pessoa inocente perde a vida”, disse o delegado George Gomes.

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